segunda-feira, 21 de outubro de 2019

A Crueldade dos Contos de fadas

Diz a história que os contos de fadas eram muito violentos e mais dramáticos e que com o tempo foram sendo suavizados. Desde de pequenas (principalmente às raparigas) que nos impingem a ideia que um dia vamos conhecer alguém fantástico e que se vai dar um click imenso e que somos felizes para sempre (que na maioria das histórias acaba no casamento ou no beijo apaixonado). Depois dos contos de fadas aparecem os filmes, as séries e os livros onde fica tudo bem no final. Verdade, verdadinha já eu assisti com os meus olhos a coisas que nem nas novelas acontecem (e olhem que eles bem inventam). A realidade está longe da ficção, todos sabemos disso mas existe sempre o termo de comparação, estamos todos a espera que nos apareça o príncipe encantado num cavalo branco (eu cá prefiro que ele venha a pé, porque tenho medo de cavalos) e que olhe para nós e sentimos um arrepio e olhamos para ele e sabemos que é aquele. Nunca ouvi uma história real assim, nunca vivi uma história assim. A realidade é muito mais difícil. Na realidade as pessoas podem se sentir imediatamente atraídas fisicamente e não pela parte mental e vise-versa. Podem sentir-se um pouco atraídas pela parte física e pela parte mental mas não saberem se esse pouco é suficiente. Podem apaixonar-se por um gesto e odiarem por uma frase (ou o tom) . E depois vem as expectativas, a pressão dos outros, a nossa pressão, o ganhar de confiança, o conhecer os limites, etc...Não percebo porque suavizaram os contos de fadas e porque nos impingem uma coisa que não é real. É cruel fazerem nos comparar a realidade com a ficção, é cruel fazerem-nos pensar que é assim tão fácil e que basta um beijo de amor verdadeiro para nos salvar do que quer que seja!

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

A complicação da simplicidade

Existe muito pensamento mas poucas palavras. Os pensamentos são confusos e contraditórios e não me ajudam a explicar as pessoas o que se passa porque nem eu sei o que se passa. Sei que tenho 30anos, vivo sozinha com uma gata, tenho um trabalho na qual sou medíocre e não estou feliz. Por outro lado tenho 30 anos, sou uma mulher relativamente saudável com trabalho e independente, não tenho grandes razões para me queixar. Sinto-me cansada não sei do quê visto que me sinto tantas vezes aborrecida. Esforço-me para fazer/ser melhor mas continuo na mesma...ou seja...isto deve ser o máximo que dá. Irrita-me que as pessoas mandem palpites sobre o que devo ou não devo fazer quando não me conhecem mas quero saber mais as opiniões das pessoas em relação as minhas atitudes. Não estou a fazer nenhum mal no mundo, trabalho, voto, faço reciclagem mas não fazer o mal não significa fazer o bem. Não sou um peso social, faço o meu dever e tento não chatear ninguém mas também não ajudo ninguém nem mudo o mundo. Quero mais mas a quem tenha muito menos e consiga melhor.....Alguém assim??não posso ser só eu...pois não??

domingo, 18 de agosto de 2019

E agora?

Estou solteira há pouco mais de 1ano depois de uma relação de mais de 7 anos. Quando acabei com o meu ex-namorado senti uma ansiedade enorme em começar outra vez, achei e acho que não ia ser nada, mas nada, fácil encontrar outra pessoa por isso tinha que me despachar a procurar. Ainda por cima porque tenho uma fasquia elevada, o meu ex-namorado não cometeu nenhum erro gigante, não me magoou imenso. Ambos cometemos pequenos erros que ao longo do tempo foram ficando maiores e maiores até nos separarem mas ele é um óptimo rapaz com um coração enorme.

Tive muito tempo para pensar na minha relação, tenho muito tempo para pensar na decisão que tomei. Continuou sem me arrepender mas é muito mais difícil do que estava a espera. Não deixo de fazer as coisas que gosto mas experimentem a ir a um teatro/cinema sozinhos e contem-me como foi.

A loucura de conhecer alguém novo fez com que me inscreve-se num site de encontro. Nem 24horas me aguentei lá. Mal tinha acabado de me inscrever tinha homens a ver o meu "perfil", homens muito mais velhos a elogiarem o meu perfil. Homens a falar comigo que notava-se claramente que estavam a falar com outras e ao fim de 6 perguntas já queriam o meu número. Sinto-me uma retrograda.

Percebi que as coisas mudaram. Percebi que é raro uma rapaz olhar para mim duas vezes. E não sei muito bem o que acontece agora.....

domingo, 14 de julho de 2019

Passar a mensagem

Já passou mais de um ano que estou sem namorado e nesta semana duas pessoas completamente diferentes achavam que ainda estava com o meu ex-namorado. Achei que isto fosse acontecer mas não mais de um ano depois. Obviamente que não sou a pessoa  mais popular e que distribua informação mas juro-vos que depois da 2ª pessoa me apeteceu meter algo no facebook a dizer que já não namoro com XXX, eu que meto uma cena no facebook uma vez por ano. Eu que penso trinta vezes naquilo que lá coloco e naquilo que colocam com o meu nome, queria espetar lá em letras grandes "não tenho namorado".  Claro que não o fiz e racionalmente não é o que quero fazer mas não gosto de saber que aparentemente todos ainda pensam que namoro com ele. Estou a tentar seguir em frente a tanto tempo e isto faz-me sentir que continuo no mesmo sitio.

Alguém sabe como elucidar o máximo de gente possível mas de uma maneira discreta? 

domingo, 3 de março de 2019

Imaginação estúpida

Nunca soube o que queria ser.....nunca soube o que queria ter. Com 15 anos a minha ambição era ser independente e ser mãe. Nunca quis ter um carro estupidamente caro ou uma casa gigante com piscina....nunca quis ser a vencedora de um grammy, nobel, óscar e outros nomes assim.

Não sou..nunca fui ambiciosa...quando comecei a ter idade para ter objectivos concretos e racionais, não sabia o que objectivar. Por isso objectivei o "suposto": ter um trabalho, ter uma casa e uma família...

Eu que fui seguindo o caminho que me iam dizendo para seguir...que fiz dezenas de coisas não porque as quis fazer mas porque disseram para eu fazer e que me fizeram descobrir outra dezena de coisas que eu queria fazer e fiz....


A questão é muito estúpida...mas eu que nunca imaginei grande coisa para mim...

Eu não imaginava a minha vida assim...é estúpido tendo em conta que não imaginei grande coisa.


Como posso estar frustrada com o facto de isto não ser o que imaginei ....se eu não imaginei. Como posso achar que sou uma falhada se não objectivei coisas para atingir. Como penso que ainda não fiz nada se já fiz pelo menos uma dezena de coisas que os outros queriam que eu fizesse.

Vocês perguntam "então se isto não é o que imaginavas, o que precisas para que seja?"

Mais estúpido ainda....é que não sei




domingo, 27 de janeiro de 2019

Acreditar

Umas das piores coisas de envelhecer deve ser deixar de acreditar. Começamos por deixar de acreditar que nos roubaram o nariz e depois que o pai natal existe, que estão monstros debaixo da cama, que as nuvens não feitas de algodão, que os pais não são super heróis, que com 10 anos vamos ser adultos. Mais tarde deixamos de acreditar que temos que estudar imenso para passar nos testes, que os pais nos vão abandonar se nos portarmos mal, que todos os que conhecemos são imortais.

Deixamos de acreditar que as pessoas não são más, que todos cumprem a lei, que os adultos fazem sempre o melhor, que os nossos pais vão ficar juntos para sempre....deixamos de acreditar que o príncipe encantado aparece e vai fazer nos sentir borboletas na barriga.

Por vezes no meio do caminho deixamos de acreditar em nós próprios, deixamos de acreditar que somos capazes, que somos espertos, que temos capacidades, que somos bonitos, que somos tão importantes como os outros....

Umas coisas deixamos de acreditar mais cedo que outras, não é igual para todas as pessoas porque todos temos experiências diferentes mas todos vamos deixando de acreditar. Vemos o mundo mais feio e ajustamos as nossas expetativas, deixamos de ter sonhos e passamos a ter objetivos porque deixámos de acreditar que os sonhos se realizam.


domingo, 9 de dezembro de 2018

Azeitonas

Comprei um frasco de azeitonas. Uma coisa aparentemente normal. Quis comer as azeitonas que eu comprei. Foi para isso que comprei as azeitonas para as comer. Pequeno problema...não consigo abrir o frasco. Já tentei bater devagarinho na tampa, já tentei um pano, já tentei água quente...já estou a desesperar. Estar sozinha não é fácil, mas até agora consegui tudo com mais ou menos esforço e tenho um estúpido fraco de azeitonas a moer-me o juízo. Sério...como uma coisa tão simples pode chatear tanto uma pessoa, para a próxima compro avulso.

domingo, 23 de setembro de 2018

Faz algum tempo que não cá vinha....faz algum tempo que não lia o que escrevi. Assustei-me um dos últimos posts (aqui) que ainda se mantém tão real. Já não estou com o meu namorado...aquilo que esperava aconteceu...ele não se mudou e eu não consegui esperar mais; Não foi fácil, ainda não é. Ainda vivo sozinha na casa para a qual me mudei; Gosto da minha casa, apesar de volta e meia ouvir as vizinhas a discutir. Os meus pais querem mudar-se do fim do mundo para um mundo com menos fim; Ficar aqui numa terra que não é minha e sem ninguém não fará sentido e provavelmente mudarei para perto do mundo que eles se mudarem. Arranjei uma gata, não queria mas quando me abriram uma porta e saíram de lá imensos gatinhos peguei num e passou a ser meu; Não é a melhor gata do mundo, morde e ataca-me para se vingar dos beijos que lhe dou mas não a troco por nenhum. Não fui muito bem sucedida com a comunicação oral, alias não sinto que tenha mudado muita coisa em mim. Danço....uma coisa que não faz muito sentido dançar mas danço porque gosto. Fui aumentada, e tenho mais responsabilidades no trabalho; A empresa está diferente mais separada. Tenho uma bola de nhaca presa atrás do olho; Os médicos estão inclinados que ela não vai sair sozinha e por isso vou ter de fazer uma cirurgia. Os meus avós ainda estão vivos e bem, o meu pai retomou contacto com pai biológico dele e agora quer que eu o conheça; Não quero saber de um homem que traiu a minha avó, abandonou o meu pai e nunca quis saber de mim. Digo mais vezes quando as pessoas cometem um erro; Reclamo e digo que não pode ser. Vou a festas sozinha (...sim é horrível) porque tenho poucos amigos e ainda menos aqui. Janto no sofá a ver tv porque na cozinha ficaria a olhar para uma cadeira vazia.  Saltei de para-quedas e fui como se tivesse ido ali ao supermercado fazer compras...nada de especial. Viajei sozinha; Na altura ainda com namorado mas fui sozinha e não gostei. Fui viajar com a mãe e adorei; Foi lá que decidi terminar a minha relação, quando vi um casal que parecíamos nós e tive pena dela.  Não me arrependo do que faço e vou lamentando o que ainda não fiz. Já não desespero pelos " e se" mas desespero pelos "e agora". Nunca tive tantas dúvidas de como será o meu futuro. Tenho medo.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Talvez...o fim

Desde de muito cedo que gosto de escrever....sempre foi estranho tendo em conta que não gosto de ler e que escrevo muito mal.Escrever é para mim uma maneira de demonstrar os meus pensamentos muitas vezes confusos e sem direção, ajudam me a refletir mais sobre as coisas e a racionalizar o que penso. Comecei (e continuo) pelos diários, depois foi pelos livros em que escrevi dois e comecei o terceiro. Obviamente coisas de adolescentes sem conteúdo nenhum mas faziam sentir-me melhor. Depois veio o blog, escrever só para mim já não chegava. Tinha de partilhar com os outros e saber se havia alguém que pensava como eu. Demorou alguns anos até ter feedback de alguém por aqui e foi tão bom. Foi bom perceber que as pessoas percebiam o que eu escrevia e para além disso identificavam-se. Ainda sinto muita necessidade de escrever, de colocar as coisas de uma forma racional, lógica e bem explicada mas já não sinto tanta necessidade de o partilhar com os outros. Neste momento sinto mais necessidade de me fazer entender pessoalmente, conseguir explicar verbalmente às pessoas aquilo que penso. Basicamente sinto necessidade de melhorar a minha comunicação oral. Não é fácil, falo muitas vezes sem pensar e na fala não é tão fácil esconder emoções mas é que neste momento sinto que preciso.

Não vou dizer adeus porque gosto muito de escrever e este sitio tem uma grande parte de mim mas...........até já. 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Desmotivar, é querer melhorar e não saber como....

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Lamentações de gente com sorte

Nem todo é o que parece e todas as pessoas são diferentes. Para mim é vida é muito fácil sei e tenho consciência absoluta que sou uma sortuda, vivo num país desenvolvido, tenho a minha casa o meu carro e o meu trabalho, tenho luz, água e um frigorífico com a comida que eu quiser. Infelizmente lembramos nos (sim...não sou só eu) disso muito poucas vezes, lembramos nos da sorte que temos quando vimos uma criança em África super magra ou uma criança refugiada semi-sangrenta a gritar pelos pais. Essa lembrança dura entre 1 a 5 minutos e depois voltamos para o nosso mundo em que o que interessa é como tens as unhas ou o trabalho que te esforças imenso para subir quando a gaja loira e boa dorme com o patrão e chega lá acima muito primeiro que tu. No nosso mundinho não nós preocupamos com falta de água, luz ou comida e mesmo assim estamos cheios de stress e com imensas depressões. Parece-me que estamos a ver muito mal as coisas. Racionalmente qualquer pessoa pode dizer o que eu disse, sabe que é verdade mas 95% (onde me incluo) passado 5 minutos já não quer saber. Ao mesmo tempo que me sinto sortuda sinto-me uma falhada. Com as condições que tenho não fiz nada, não ajudo pessoas todos os dias, não luto por condições melhores para os refugiados nem vou distribuir comida em África. Aliás lamento-me quase todos os dias porque não tenho um talento, limito-me a ter o meu papel de robot. Levanto-me a mesma hora todos os dias, vou trabalhar (o qual nem faço corretamente), vou à ginástica ou ter com um namorado (cuja relação não vejo qualquer futuro), dou um jeito à casa e vou dormir para repetir o processo durante todo o ano. Volta e meia penso "se calhar podias fazer melhor", podias ajudar mais pessoas, podias falar mais com as pessoas para teres mais amigos, podias esforçar-te melhor no trabalho para um trabalho melhor, podias fazer tanto para melhorar. Por norma essa "vontade" dura um dia no máximo e depois volta tudo ao normal e volto a ser a mesma miúda sem qualquer tipo de interesse e sem qualquer talento. Alguém que anda aqui só a gastar ar. Atenção que eu não minimamente ambiciosa, não quero ter um emprego que ganhe imenso dinheiro ou mande em muita gente só queria fazer algo bem nem que fosse limpar ruas..

Ás vezes apetece-me deixar tudo e começar do zero mas até isso eu tive oportunidade (quando me mudei de Lisboa para o fim do mundo) e sim fiz progressos mas tão poucos. Caraças será assim tão díficil....

domingo, 27 de novembro de 2016

Não tens talento

A minha mãe tem um poder imenso sobre mim, talvez por ser minha mãe. Aquilo que diz é quase "lei", se ela diz que não devo ir é muito provável que não vá, se ela diz que devo tirar determinado curso é muito provável que tire e se não tirar fico com peso na consciência e por aí adiante. No outro dia falávamos da falta de talento e ela concordava que tenho tentado encontrar o meu. No meio da conversa disse naturalmente "acho que não tinhas talento para a dança", apesar de já não dançar o que ela disse caiu-me muito mal. A minha mãe percebe tanto de dança como eu da história da moda, a minha mãe só me viu dançar uma vez e eu praticava dança há menos de um ano..não é certamente a pessoa mais adequada para falar nas minhas habilidades de dança mas o poder que tem sobre mim fez logo com que eu ficasse achar que danço mal e não vale a pena voltar a tentar...

P.S: Sim, tenho 27 anos e a minha mãe ainda me consegue manipular

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

O Dom da crítica elegante

Fui chamada ao gabinete dos directores para me dizerem educadamente e simpaticamente que não evolui no ano e meio que lá trabalho, que o meu trabalho apresenta muitas falhas e que não mostro iniciativa. Quando saí de lá só conseguia pensar que o meu chefe tem um grande dom. Eles disseram-me coisas que, creio eu, ninguém quer ouvir mas foram corretos, elegantes e encorajadores. Perguntaram antes de criticar e assumiram culpas antes de eu fazer acusações. Se houve coisa que me fez sentir menos mal, foi saber que tenho um chefe com um dom imenso de falar com as pessoas mesmo que seja para lhes dizer coisas negativas, saber que, apesar de eles acharem que não evolui o que se esperava, não vão desistir de mim.

sábado, 12 de novembro de 2016

Déjà vu

Devia ter 7 ou 8 anos e estava na festa de natal da empresa da minha mãe, estavam a distribuir presentes às crianças. Os mais pequenos recebiam mais presentes e isso estava bem mas depois um menino da minha idade recebeu mais um presente que eu...comecei a chorar, o que eu tinha feito para receber menos um presente? O que eu era a menos que ele para receber menos um presente?? Mais tarde soube que ele era o filho do chefe e a minha mãe não era a chefe...injusto mas típico.

Recentemente na minha empresa houve um acontecimento importante e o chefe ligou a toda gente no dia anterior para falar do protocolo e do que cada um teria de fazer. Ligou a toda a gente menos a mim....não comecei a chorar mas tive vontade e pensei o que tinha feito eu para ele não me ligar, o que eu sou menos que os outros para ele não me ligar. Talvez mais tarde perceba porquê

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Mentiras que...esclarecem

No dia das mentiras as minhas colegas inventaram que ia casar...Maioria dos meus colegas percebeu que era uma mentira menos a minha chefe que decidiu partilhar a "boa noticia" com o resto da empresa. Mais tarde fiquei a saber que um dos meus colegas ficou triste com a noticia...fiquei surpreendida não tinha ideia de que houvesse um colega que tivesse reparado em mim. Ele soube que a noticia era mentira mas eu fiquei a saber que ele tinha um fraquinho por mim...