domingo, 8 de janeiro de 2017

Talvez...o fim

Desde de muito cedo que gosto de escrever....sempre foi estranho tendo em conta que não gosto de ler e que escrevo muito mal.Escrever é para mim uma maneira de demonstrar os meus pensamentos muitas vezes confusos e sem direção, ajudam me a refletir mais sobre as coisas e a racionalizar o que penso. Comecei (e continuo) pelos diários, depois foi pelos livros em que escrevi dois e comecei o terceiro. Obviamente coisas de adolescentes sem conteúdo nenhum mas faziam sentir-me melhor. Depois veio o blog, escrever só para mim já não chegava. Tinha de partilhar com os outros e saber se havia alguém que pensava como eu. Demorou alguns anos até ter feedback de alguém por aqui e foi tão bom. Foi bom perceber que as pessoas percebiam o que eu escrevia e para além disso identificavam-se. Ainda sinto muita necessidade de escrever, de colocar as coisas de uma forma racional, lógica e bem explicada mas já não sinto tanta necessidade de o partilhar com os outros. Neste momento sinto mais necessidade de me fazer entender pessoalmente, conseguir explicar verbalmente às pessoas aquilo que penso. Basicamente sinto necessidade de melhorar a minha comunicação oral. Não é fácil, falo muitas vezes sem pensar e na fala não é tão fácil esconder emoções mas é que neste momento sinto que preciso.

Não vou dizer adeus porque gosto muito de escrever e este sitio tem uma grande parte de mim mas...........até já. 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Desmotivar, é querer melhorar e não saber como....

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Lamentações de gente com sorte

Nem todo é o que parece e todas as pessoas são diferentes. Para mim é vida é muito fácil sei e tenho consciência absoluta que sou uma sortuda, vivo num país desenvolvido, tenho a minha casa o meu carro e o meu trabalho, tenho luz, água e um frigorífico com a comida que eu quiser. Infelizmente lembramos nos (sim...não sou só eu) disso muito poucas vezes, lembramos nos da sorte que temos quando vimos uma criança em África super magra ou uma criança refugiada semi-sangrenta a gritar pelos pais. Essa lembrança dura entre 1 a 5 minutos e depois voltamos para o nosso mundo em que o que interessa é como tens as unhas ou o trabalho que te esforças imenso para subir quando a gaja loira e boa dorme com o patrão e chega lá acima muito primeiro que tu. No nosso mundinho não nós preocupamos com falta de água, luz ou comida e mesmo assim estamos cheios de stress e com imensas depressões. Parece-me que estamos a ver muito mal as coisas. Racionalmente qualquer pessoa pode dizer o que eu disse, sabe que é verdade mas 95% (onde me incluo) passado 5 minutos já não quer saber. Ao mesmo tempo que me sinto sortuda sinto-me uma falhada. Com as condições que tenho não fiz nada, não ajudo pessoas todos os dias, não luto por condições melhores para os refugiados nem vou distribuir comida em África. Aliás lamento-me quase todos os dias porque não tenho um talento, limito-me a ter o meu papel de robot. Levanto-me a mesma hora todos os dias, vou trabalhar (o qual nem faço corretamente), vou à ginástica ou ter com um namorado (cuja relação não vejo qualquer futuro), dou um jeito à casa e vou dormir para repetir o processo durante todo o ano. Volta e meia penso "se calhar podias fazer melhor", podias ajudar mais pessoas, podias falar mais com as pessoas para teres mais amigos, podias esforçar-te melhor no trabalho para um trabalho melhor, podias fazer tanto para melhorar. Por norma essa "vontade" dura um dia no máximo e depois volta tudo ao normal e volto a ser a mesma miúda sem qualquer tipo de interesse e sem qualquer talento. Alguém que anda aqui só a gastar ar. Atenção que eu não minimamente ambiciosa, não quero ter um emprego que ganhe imenso dinheiro ou mande em muita gente só queria fazer algo bem nem que fosse limpar ruas..

Ás vezes apetece-me deixar tudo e começar do zero mas até isso eu tive oportunidade (quando me mudei de Lisboa para o fim do mundo) e sim fiz progressos mas tão poucos. Caraças será assim tão díficil....

domingo, 27 de novembro de 2016

Não tens talento

A minha mãe tem um poder imenso sobre mim, talvez por ser minha mãe. Aquilo que diz é quase "lei", se ela diz que não devo ir é muito provável que não vá, se ela diz que devo tirar determinado curso é muito provável que tire e se não tirar fico com peso na consciência e por aí adiante. No outro dia falávamos da falta de talento e ela concordava que tenho tentado encontrar o meu. No meio da conversa disse naturalmente "acho que não tinhas talento para a dança", apesar de já não dançar o que ela disse caiu-me muito mal. A minha mãe percebe tanto de dança como eu da história da moda, a minha mãe só me viu dançar uma vez e eu praticava dança há menos de um ano..não é certamente a pessoa mais adequada para falar nas minhas habilidades de dança mas o poder que tem sobre mim fez logo com que eu ficasse achar que danço mal e não vale a pena voltar a tentar...

P.S: Sim, tenho 27 anos e a minha mãe ainda me consegue manipular

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

O Dom da crítica elegante

Fui chamada ao gabinete dos directores para me dizerem educadamente e simpaticamente que não evolui no ano e meio que lá trabalho, que o meu trabalho apresenta muitas falhas e que não mostro iniciativa. Quando saí de lá só conseguia pensar que o meu chefe tem um grande dom. Eles disseram-me coisas que, creio eu, ninguém quer ouvir mas foram corretos, elegantes e encorajadores. Perguntaram antes de criticar e assumiram culpas antes de eu fazer acusações. Se houve coisa que me fez sentir menos mal, foi saber que tenho um chefe com um dom imenso de falar com as pessoas mesmo que seja para lhes dizer coisas negativas, saber que, apesar de eles acharem que não evolui o que se esperava, não vão desistir de mim.

sábado, 12 de novembro de 2016

Déjà vu

Devia ter 7 ou 8 anos e estava na festa de natal da empresa da minha mãe, estavam a distribuir presentes às crianças. Os mais pequenos recebiam mais presentes e isso estava bem mas depois um menino da minha idade recebeu mais um presente que eu...comecei a chorar, o que eu tinha feito para receber menos um presente? O que eu era a menos que ele para receber menos um presente?? Mais tarde soube que ele era o filho do chefe e a minha mãe não era a chefe...injusto mas típico.

Recentemente na minha empresa houve um acontecimento importante e o chefe ligou a toda gente no dia anterior para falar do protocolo e do que cada um teria de fazer. Ligou a toda a gente menos a mim....não comecei a chorar mas tive vontade e pensei o que tinha feito eu para ele não me ligar, o que eu sou menos que os outros para ele não me ligar. Talvez mais tarde perceba porquê

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Mentiras que...esclarecem

No dia das mentiras as minhas colegas inventaram que ia casar...Maioria dos meus colegas percebeu que era uma mentira menos a minha chefe que decidiu partilhar a "boa noticia" com o resto da empresa. Mais tarde fiquei a saber que um dos meus colegas ficou triste com a noticia...fiquei surpreendida não tinha ideia de que houvesse um colega que tivesse reparado em mim. Ele soube que a noticia era mentira mas eu fiquei a saber que ele tinha um fraquinho por mim...

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Cavalheirismo onde tu andas??

No outro dia fui entregar material a um cliente e mal cheguei vi um senhor (mais ou menos 40 anos). Eu meio atrapalhada a tirar o material do carro e o senhor de mão no bolso a olhar para mim tipo "hum...aquilo deve ser pesado" e eu continuava atrapalhada a tirar o que podia e depois o cliente percebeu e foi a correr ajudar-me, passou pelo senhor e olhou para ele de lado tipo "então mas este gajo está aqui a olhar e ...não faz nada".

Se fosse um gajo de 20anos não me surprendia, tenho noção que o cavalheirismo tem morrido de geração para geração mas um senhor de 40 ...não estava a espera

domingo, 23 de outubro de 2016

Ás vezes parece que continuamos no mesmo sítio

O meu pai era o encarregado de educação e quando ia as reuniões nunca me dizia nada. Dizia apenas "não disseram nada sobre ti" e eu perguntava mas do que falaram mais e ele nada. No dia a seguir às reuniões de pais era uma coscuvilhice pegada, todos os miúdos sabiam imensas coisas (maioritariamente más) sobre os colegas e eu nada...Só mais tarde é que percebi que o meu pai era o único com a atitude correta. Os pais não devem comentar com os filhos os problemas familiares dos colegas.

No meu trabalho tenho tido uma experiência muito similar, os diretores dos vários departamentos quando tem reuniões no nosso departamento ninguém fica a saber do que se passou. Ficamos todos em pulgas a tentar especular do que eles falam volta e meia consegue-se ouvir qualquer coisa mas depois o nosso diretor não nos diz o que se passou apenas algumas decisões que foram tomadas e nós até fazemos perguntas mas nada....Depois ficamos a saber o que se passou pelos outros departamentos. Ainda não sei se o diretor tem a atitude correta mas o departamento não gosta mesmo.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

A cadela com um dono desobediente

Mesmo ao lado da casa onde moro existe um descampado, onde muitas pessoas aproveitam para passear os cães. Volta e meia, oiço um senhor a gritar pela sua cadela "tixa". A tixa é uma cadela pequena de pêlo curto que não é obediente até aqui não me parece nada de errado, eu também não consegui educar os meus animais . O que me parece errado é o senhor saber que tem uma cadela desobediente e mesmo assim continuar a leva-la sem trela. Eu acho que ele se preocupa com ela, pela forma como grita fica mesmo preocupado que ela vá para estrada ou se meta com outros cães mas se ainda não conseguiu educa-la não faria mais sentido vir com uma trela, pelo menos até conseguir educa-la??

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Desafio- Irónia


1. O que você não sai de casa sem?
roupa (digamos que convém andar vestida)

2. Qual seu animal favorito?
Os vivos

3. Qual seu sapato favorito?
os que servem para calçar

4. Produto de maquilhagem indispensável?
espelho

5. Qual seu maior sonho?
viver o sonho

6. Qual o seu maior defeito?
existir

7. O que te irrita nas pessoas?
pensarem que são espertas

8. Qual sua comida favorita?
a oferecida

9. Doce ou salgado?
Com aquela coisa do ricardo salgado é melhor doce

10. O que te deixa feliz?
A felicidade


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

No sítio certo..a hora certa

Num dia demoníaco a minha mãe liga-me aflita para eu ir o mais depressa possível entregar umas coisas que ela se tinha esquecido. Estou eu no trabalho e espero ansiosamente pela hora de almoço com a minha mãe a ligar-me quase de 5 em 5 minutos a perguntar " então já foste?" Conduzo que nem uma maluca para conseguir chegar a tempo, estou completamente stressada e nem consigo pensar. Estaciono no primeiro buraco que encontro e mal saio do carro aproxima-se de mim um senhor, já com alguma idade, com uma folha, apercebo-me que é testemunha de Jeová e vem tentar falar comigo naquele segundo penso "era mesmo isto que me faltava" faço cara de "não estou com paciência" e o senhor meio afastado como se tivesse medo de se aproximar de mim estica o braço para me dar a folha e só diz "este texto vai ajuda-la com a ansiedade" eu fico esmagada pela coincidência. Peguei na folha, sorri e agradeci e só isso fez com que ficasse mais calma

domingo, 2 de outubro de 2016

As coisas que não esqueci...e as que esqueci

O meu namorado é adjunto de treinador de futebol aqui num dos clubes da região, não sou grande fã de futebol mas é uma das paixões dele e apoio-o. Recentemente estava a assistir a um dos jogos e deu-me a sensação de conhecer o rapaz que se sentou atrás de mim, parecia ser o meu ex-namorado. Não querendo olhar à descarada, deixei-me estar e aos poucos tentar perceber se era ele. Tive com atenção à conversa dele e a voz não me dizia nada..pensei estar enganada. Pouco depois consegui olhar e vi que realmente era ele, reconhecia-o perfeitamente. Fiquei confusa, então estava ali uma pessoa com que namorei e eu não lhe reconhecia a voz....tive mais atenta e realmente a voz não me dizia nada, já a forma de falar e algumas expressões sim. Não sei se ele me reconheceu mas não nos falámos. Foi estranho estar tão perto de uma pessoa com que namorei e não existir qualquer tipo de interacção nem daquela "sei que estás aqui mas não te falo" mas apercebi-me que já me lembro muito pouco dele..

domingo, 18 de setembro de 2016

Walking Drep

Há menos de 7 anos eu, influenciada pela minha mãe, gozava com as pessoas com depressão. "Eu não tenho tempo para andar deprimida"..."Parece que é moda tomar anti-depressivos", eram coisas que podiam ouvir de mim e da minha mãe. Achava que a depressão era uma mariquice de pessoas que se sentiam tristes, uma desculpa para quem não queria trabalhar. Pouco tempo depois vi a minha sogra com uma depressão enorme, já lá estava mas eu ainda não tinha visto. Fez-me confusão, não percebia porque ela chorava tanto e não reagia, porque ela não se queria levantar nem comer. A minha ideia da depressão ficou baralhada, já não sabia bem o que pensar. Muito pouco tempo depois foi o meu namorado, graças a um problema de saúde mergulhou numa depressão imensa que só piorava o seu problema de saúde. Foram meses difíceis em que não sabia se devia refilar por ele não fazer nada ou apoiar a sua dor. Aqui percebi o poder destrutivo da depressão e o efeito que ela tinha, ganhei-lhe respeito. Depois de meses escuros o meu namorado recuperou, pensei que a depressão tinha passado. Se a dele tinha passado a da mãe dele também podia passar. Apesar de sentir que de vez em quando ele estava mais triste, estava confiante que tinha passado mas ela voltou tão destrutiva como da primeira vez, teimosa a dizer daqui não saio, daqui ninguém me tira. Comecei a ler sobe o assunto e consciencializei que quem tem dificilmente deixa de ter. Desde que o meu avô teve o AVC que a minha mãe entrou na depressão, vi os sinais e disse-lhe o que estava a acontecer mas ela não acreditava...ela estava sempre a gozar com isso não podia ter sido apanhada na rede. Emagreceu quase 10kilos, não dormia e o médico disse-lhe que tinha uma depressão. -15kilos e quase um ano depois a minha mãe está no fundo do poço...tal e qual as pessoas com que gozávamos. Eu ainda estou a aprender sobre a depressão e daquilo que vou sabendo gosto cada vez menos dela. Alías agora tenho medo, tenho todos os requisitos para uma depressão, sou pessimista, tenho baixa auto-estima e problemas de sociabilidade e estou rodeada de pessoas deprimidas. Ás vezes sinto-me enclausurada pela depressão como se estivesse por todo lado e eu não tivesse por onde fugir.....

Acredito que a par da obesidade a depressão é a doença do século XXI. As pessoas com depressão por vezes parecem zombies alimentados a ansióliticos que se arrastam pela sua vida.Não a compreendo mas já a reconheço muito bem e sei o faz, sei o poder devastador que têm e sei que não tem cura. Costumo dizer que é como o herpes, assim que o apanhamos nunca nós livramos dele mas as vezes é visível e outras vezes não mas está sempre lá como uma doença oportunista que espera para atacar quando estamos mais fracos.



sábado, 10 de setembro de 2016

Sair de casa...#9

Existem poucas pessoas que sabem que vou mudar de casa, pensando bem no assunto só a minha família, namorado e a minha melhor amiga é que sabem. Isto porque não sei muito bem explicar as pessoas porque vou viver sozinha.

A minha família acha que o meu namorado se muda para lá brevemente.

O meu namorado acha que me vou sentir sozinha. Penso que terá um leve gosto em dizer-me "eu bem te avisei"

A minha melhor amiga acha que fiz muito bem e que se ele não se mudar quem perde é ele.

Eu acho que me vou sentir sozinha algumas vezes, acho que ele não vai morar comigo brevemente e sofro mais com a desilusão que a minha família vai ter do que propriamente com o facto de ele não ir.

escrito em: 04/03/2016



up date:


Não me sinto sozinha, sinto-me livre e independente e sabe tão bem...Ele passa mais tempo cá do que julguei e depois de lhe ter passado o choque de "ela vai mesmo mudar-se" mostrou-se orgulhoso de mim e de ter conseguido fazê-lo sozinha. A minha família já nem pergunta por ele e a minha melhor amiga sabe que estou bem e isso é que importa