sábado, 24 de outubro de 2020

O desafio de dizer bem

Não conheço a realidade de ser uma pessoa com uma ótima auto-estima e super confiante. Não sei o que é olhar sempre pelo lado positivo da coisa. Não sei o que é não duvidar de mim. Ando há muitos anos a trabalhar na minha auto-estima, é um trabalho diário e que não é nada fácil. Muitas vezes tenho recaídas e volto ao pior de mim. Orgulho-me do que já alcancei e de ter noção de como melhorei. Agora que começo a notar as diferenças vejo que ainda mais difícil de ganhar auto-estima é mantê-la. Então uma pessoa descobre um erro no trabalho que está assim desde sempre e nem um "Boa Milka" ou "Epa ainda bem que descobriste isto". A reação foi mais "Não fizeste tu mais que a tua obrigação". Eu não sei como funciona com vocês mas a minha auto-estima está, ainda, muito dependente de inputs exteriores e aí está um grande problema porque quando fazem alguma coisa mal é capaz de vir meio mundo esfregar na vossa cara mas fazem uma bem e nem uma palmadinha nas costas. Infelizmente cada vez mais somos criticados por tudo e se tive esperança que com o confinamento a coisa melhorasse, já está mais que provado que as pessoas se tornaram mais cruéis. Vivemos na moda da crítica, é o que sai primeiro antes de tentar perceber seja o que for. Como é que neste mundo alguém consegue ser confiante? como é que alguém acredita em si próprio e nas suas capacidades? Será que aqueles que têm boa auto-estima a conseguem porque metem todos os outros para baixo? Como nós tornamos mais equilibrados num mundo virado ao avesso?

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Post não recomendado a pessoas sensíveis

 Lembro-me exatamente do dia que o meu avô (pai da minha mãe) morreu e gostava de poder dizer coisas muito bonitas, sentimentais e cheias de amor mas vai-se a ver e este é o meu blog e quero escrever a verdade. 

Foi a minha primeira experiência com a morte de alguém próximo. Lembro-me de quando o meu pai ligou às 10h da manha de um domingo e me disse que o meu avô tinha morrido eu perguntei (depois de vários "estás a gozar comigo") então e agora? O primeiro impacto foi de choque, eu estava "normal" a ouvir, a responder, a agir como se tivesse tudo normal. Uns 30minutos depois já estava eu no carro veio a dor assim como se tivesse levado uma pancada, eu estava bem e no segundo a seguir já não estava. Recompôs-me rapidamente e quando cheguei ao pé da minha mãe já estava "bem".

Fiquei a perceber que é uma coisa muito mecânica, eu achei aquilo de uma rapidez alucinante. O meu avô morreu às 7h da manhã de domingo e as 15h da tarde desse mesmo dia, eu estava a vê-lo na casa mortuária. Foi rápido e simples. Percebi que o velório é para quem está vivo, apenas 2 pessoas foram despedir-se do meu avô mas todos foram cumprimentar a minha avó. A coisa foi tão rápida que muita gente não foi avisada e ainda bem, para mim já lá estava gente a mais. O meu avô já não precisava de ninguém, deviam tê-lo visitado quando estava vivo...ah e tal mas como disseste é para os vivos. Verdade, mas posso contar com os dedos de uma mão aqueles que apareceram lá e ofereceram ajuda. 

A morte do meu avó foi um alívio. Alivio para ele que há dois anos pedia para morrer, um alivio para nós família que não sabíamos lidar com a situação e um alivio para a minha avó que partilhava (talvez ainda existisse amor nem que fosse pelo passado) a casa com ele. Ao contrário do normal depois do meu avô morrer as pessoas disseram muito mal dele. Atenção, tenho plena noção que o meu avô não era nenhum santo e que tinha uma teimosia maior do que ele próprio mas custou-me muito, mais do que a morte dele em si, que as pessoas dissessem tão mal dele. Ouvi muita coisa que não sabia e que não ganhei nada em saber. 

Depois do meu avó morrer passámos a almoçar muito mais vezes fora, com vizinhos, em outras casas que não a dele. Isto era o que sempre quis...a minha família a conviver mas fazia-me confusão porquê só agora, o que mudou e perguntei várias vezes qual era a diferença. Após alguma insistência da minha parte, lá me responderam...a diferença era o meu avô. Com o meu avó tinha que ser quando ele queria, como ele queria, onde ele queria.

Pode não parecer mas eu adorava o meu avô, era e é uma referência para mim e tenho muitas saudades mas há muito tempo que não era ele, era o corpo dele a definhar e vai-se a ver gosto mais desta versão familiar, por isso ele que descanse em paz que nós cá estamos bem. 



segunda-feira, 5 de outubro de 2020

Mudar de Casa # T2 Ep 1

 A ideia de mudar de casa começou a aparecer na minha cabeça pouco depois de terminar a minha relação de 8 anos. Esta ideia ia e voltava, comecei a procurar casas para alugar e desisti rapidamente quando me apercebi que alugar uma casa perto do trabalho me custaria mais de 80% do salário. Depois os pais decidiram mudar-se e tive com os ajudar na mudança e ainda tirar a minha morada, do fim do mundo, dos  documentos (sim, ainda não tinha alterado nada). Com a mudança dos pais ainda fazia mais sentido mudar-me mas tinha falado com o chefe e ele gostava de onde eu estava porque estava perto de muitos clientes e por isso deixei-me estar.

Passei lá um ano sem os pais ao pé e nada de especial aconteceu, só demorava mais tempo a ir visita-los. Como não fui assim tantas vezes aos clientes e tinha a família toda a pressionar para vir mais perto deles decidi voltar a procura de casa mas com calma, sem recorrer a agentes imobiliários, sem procurar muitos anúncios. Basicamente os conhecidos falavam de casas que sabiam que estavam a venda e fui empurrando a coisa assim uns tempos. Num almoço com os pais num centro comercial o pai decidiu entrar numa agência imobiliária e aí começámos a sério. Eu, cheia de medo sem saber se era a decisão acertada, estava ali à frente de um "especialista" à espera que eu lhe dissesse o que queria (isso queria eu saber). Disse-lhe o que não queria mas mesmo assim era uma lista muito curta.

Poucas semanas depois comecei a visitar casas e foi uma desilusão, juro-vos que me senti humilhada. Lembro-me que ao fim da primeira visita tinha uma data de coisas a acrescentar ao que não queria. Seguiram-se mais umas quantas visitas desapontantes e a agente imobiliária já começava a revelar algum desespero. A procura de casa tornou-se um hoobie de família, aos fins de semana íamos passear nas redondezas (da casa dos pais) e basicamente ligávamos para os anúncios das casas que gostávamos. Começou a ser demasiado para mim, tinha demasiadas pessoas a procurar uma coisa que eu não tinha a certeza que queria. 

Veio a pandemia e para mim foi a desculpa perfeita para fazer uma pausa na procura de casas, as visitas foram canceladas sem eu ter que dizer que afinal era melhor parar até EU saber o queria. 

sábado, 3 de outubro de 2020

As voltas que a vida não dá

 A última vez que escrevi aqui ainda mal se ouvia covid em Portugal, hoje não há um único dia que não se oiça essa palavra. O mundo mudou ( não necessariamente para melhor) e cada um está a lidar com as consequências da mudança que ainda agora começou. 

Os meus pais mudaram-se, eu mantive-me durante cerca de um ano perto do fim do mundo sem namorado, sem pais e sem amigos ( sendo eu uma solitária, não foi assim tão mau como parece). O meu avó paterno morreu muito antes do covid e foi a minha primeira experiência com velórios e afins ( a melhor coisa que posso dizer é que aquela gente trabalha depressa). Comecei a aprender um instrumento musical e desisti um ano e meio depois quando começou a ser muito difícil progredir (precisava de mais tempo e vontade para treinar). Arranjei namorado, foi através da internet e no início era simplesmente com o sentido de conhecer pessoas. Ele foi o primeiro que me encontrei pessoalmente e coisa descontraída dura quase a um ano. Pelo meio fomos apanhados pela pandemia, ainda não nos conhecíamos bem e tivemos separados praticamente dois meses. Eu estive em casa sozinha a trabalhar, durante dois meses saía apenas uma vez por semana para fazer compras. Trabalho ainda na mesma empresa e tenho a sorte de poder estar em tele-trabalho. Recentemente comprei uma casa (na loucura que está o mercado imobiliário) e mudei-me para um mundo novo, muito mais perto do trabalho e a menos de 10minutos dos pais e igualmente longe do namorado.

Apesar de muita coisa ter mudado ainda existem muitas que continuam iguais. Continuou pessimista e com baixa autoestima ( embora que já não pense tanto nisso), continuou com as mesmas dificuldades de socialização ( coisa que o covid só piorou), continuou a ser medíocre no trabalho e continuou a não saber bem o que quero de mim e da minha vida.



segunda-feira, 21 de outubro de 2019

A Crueldade dos Contos de fadas

Diz a história que os contos de fadas eram muito violentos e mais dramáticos e que com o tempo foram sendo suavizados. Desde de pequenas (principalmente às raparigas) que nos impingem a ideia que um dia vamos conhecer alguém fantástico e que se vai dar um click imenso e que somos felizes para sempre (que na maioria das histórias acaba no casamento ou no beijo apaixonado). Depois dos contos de fadas aparecem os filmes, as séries e os livros onde fica tudo bem no final. Verdade, verdadinha já eu assisti com os meus olhos a coisas que nem nas novelas acontecem (e olhem que eles bem inventam). A realidade está longe da ficção, todos sabemos disso mas existe sempre o termo de comparação, estamos todos a espera que nos apareça o príncipe encantado num cavalo branco (eu cá prefiro que ele venha a pé, porque tenho medo de cavalos) e que olhe para nós e sentimos um arrepio e olhamos para ele e sabemos que é aquele. Nunca ouvi uma história real assim, nunca vivi uma história assim. A realidade é muito mais difícil. Na realidade as pessoas podem se sentir imediatamente atraídas fisicamente e não pela parte mental e vise-versa. Podem sentir-se um pouco atraídas pela parte física e pela parte mental mas não saberem se esse pouco é suficiente. Podem apaixonar-se por um gesto e odiarem por uma frase (ou o tom) . E depois vem as expectativas, a pressão dos outros, a nossa pressão, o ganhar de confiança, o conhecer os limites, etc...Não percebo porque suavizaram os contos de fadas e porque nos impingem uma coisa que não é real. É cruel fazerem nos comparar a realidade com a ficção, é cruel fazerem-nos pensar que é assim tão fácil e que basta um beijo de amor verdadeiro para nos salvar do que quer que seja!

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

A complicação da simplicidade

Existe muito pensamento mas poucas palavras. Os pensamentos são confusos e contraditórios e não me ajudam a explicar as pessoas o que se passa porque nem eu sei o que se passa. Sei que tenho 30anos, vivo sozinha com uma gata, tenho um trabalho na qual sou medíocre e não estou feliz. Por outro lado tenho 30 anos, sou uma mulher relativamente saudável com trabalho e independente, não tenho grandes razões para me queixar. Sinto-me cansada não sei do quê visto que me sinto tantas vezes aborrecida. Esforço-me para fazer/ser melhor mas continuo na mesma...ou seja...isto deve ser o máximo que dá. Irrita-me que as pessoas mandem palpites sobre o que devo ou não devo fazer quando não me conhecem mas quero saber mais as opiniões das pessoas em relação as minhas atitudes. Não estou a fazer nenhum mal no mundo, trabalho, voto, faço reciclagem mas não fazer o mal não significa fazer o bem. Não sou um peso social, faço o meu dever e tento não chatear ninguém mas também não ajudo ninguém nem mudo o mundo. Quero mais mas a quem tenha muito menos e consiga melhor.....Alguém assim??não posso ser só eu...pois não??

domingo, 18 de agosto de 2019

E agora?

Estou solteira há pouco mais de 1ano depois de uma relação de mais de 7 anos. Quando acabei com o meu ex-namorado senti uma ansiedade enorme em começar outra vez, achei e acho que não ia ser nada, mas nada, fácil encontrar outra pessoa por isso tinha que me despachar a procurar. Ainda por cima porque tenho uma fasquia elevada, o meu ex-namorado não cometeu nenhum erro gigante, não me magoou imenso. Ambos cometemos pequenos erros que ao longo do tempo foram ficando maiores e maiores até nos separarem mas ele é um óptimo rapaz com um coração enorme.

Tive muito tempo para pensar na minha relação, tenho muito tempo para pensar na decisão que tomei. Continuou sem me arrepender mas é muito mais difícil do que estava a espera. Não deixo de fazer as coisas que gosto mas experimentem a ir a um teatro/cinema sozinhos e contem-me como foi.

A loucura de conhecer alguém novo fez com que me inscreve-se num site de encontro. Nem 24horas me aguentei lá. Mal tinha acabado de me inscrever tinha homens a ver o meu "perfil", homens muito mais velhos a elogiarem o meu perfil. Homens a falar comigo que notava-se claramente que estavam a falar com outras e ao fim de 6 perguntas já queriam o meu número. Sinto-me uma retrograda.

Percebi que as coisas mudaram. Percebi que é raro uma rapaz olhar para mim duas vezes. E não sei muito bem o que acontece agora.....

domingo, 14 de julho de 2019

Passar a mensagem

Já passou mais de um ano que estou sem namorado e nesta semana duas pessoas completamente diferentes achavam que ainda estava com o meu ex-namorado. Achei que isto fosse acontecer mas não mais de um ano depois. Obviamente que não sou a pessoa  mais popular e que distribua informação mas juro-vos que depois da 2ª pessoa me apeteceu meter algo no facebook a dizer que já não namoro com XXX, eu que meto uma cena no facebook uma vez por ano. Eu que penso trinta vezes naquilo que lá coloco e naquilo que colocam com o meu nome, queria espetar lá em letras grandes "não tenho namorado".  Claro que não o fiz e racionalmente não é o que quero fazer mas não gosto de saber que aparentemente todos ainda pensam que namoro com ele. Estou a tentar seguir em frente a tanto tempo e isto faz-me sentir que continuo no mesmo sitio.

Alguém sabe como elucidar o máximo de gente possível mas de uma maneira discreta? 

domingo, 3 de março de 2019

Imaginação estúpida

Nunca soube o que queria ser.....nunca soube o que queria ter. Com 15 anos a minha ambição era ser independente e ser mãe. Nunca quis ter um carro estupidamente caro ou uma casa gigante com piscina....nunca quis ser a vencedora de um grammy, nobel, óscar e outros nomes assim.

Não sou..nunca fui ambiciosa...quando comecei a ter idade para ter objectivos concretos e racionais, não sabia o que objectivar. Por isso objectivei o "suposto": ter um trabalho, ter uma casa e uma família...

Eu que fui seguindo o caminho que me iam dizendo para seguir...que fiz dezenas de coisas não porque as quis fazer mas porque disseram para eu fazer e que me fizeram descobrir outra dezena de coisas que eu queria fazer e fiz....


A questão é muito estúpida...mas eu que nunca imaginei grande coisa para mim...

Eu não imaginava a minha vida assim...é estúpido tendo em conta que não imaginei grande coisa.


Como posso estar frustrada com o facto de isto não ser o que imaginei ....se eu não imaginei. Como posso achar que sou uma falhada se não objectivei coisas para atingir. Como penso que ainda não fiz nada se já fiz pelo menos uma dezena de coisas que os outros queriam que eu fizesse.

Vocês perguntam "então se isto não é o que imaginavas, o que precisas para que seja?"

Mais estúpido ainda....é que não sei




domingo, 27 de janeiro de 2019

Acreditar

Umas das piores coisas de envelhecer deve ser deixar de acreditar. Começamos por deixar de acreditar que nos roubaram o nariz e depois que o pai natal existe, que estão monstros debaixo da cama, que as nuvens não feitas de algodão, que os pais não são super heróis, que com 10 anos vamos ser adultos. Mais tarde deixamos de acreditar que temos que estudar imenso para passar nos testes, que os pais nos vão abandonar se nos portarmos mal, que todos os que conhecemos são imortais.

Deixamos de acreditar que as pessoas não são más, que todos cumprem a lei, que os adultos fazem sempre o melhor, que os nossos pais vão ficar juntos para sempre....deixamos de acreditar que o príncipe encantado aparece e vai fazer nos sentir borboletas na barriga.

Por vezes no meio do caminho deixamos de acreditar em nós próprios, deixamos de acreditar que somos capazes, que somos espertos, que temos capacidades, que somos bonitos, que somos tão importantes como os outros....

Umas coisas deixamos de acreditar mais cedo que outras, não é igual para todas as pessoas porque todos temos experiências diferentes mas todos vamos deixando de acreditar. Vemos o mundo mais feio e ajustamos as nossas expetativas, deixamos de ter sonhos e passamos a ter objetivos porque deixámos de acreditar que os sonhos se realizam.


domingo, 9 de dezembro de 2018

Azeitonas

Comprei um frasco de azeitonas. Uma coisa aparentemente normal. Quis comer as azeitonas que eu comprei. Foi para isso que comprei as azeitonas para as comer. Pequeno problema...não consigo abrir o frasco. Já tentei bater devagarinho na tampa, já tentei um pano, já tentei água quente...já estou a desesperar. Estar sozinha não é fácil, mas até agora consegui tudo com mais ou menos esforço e tenho um estúpido fraco de azeitonas a moer-me o juízo. Sério...como uma coisa tão simples pode chatear tanto uma pessoa, para a próxima compro avulso.

domingo, 23 de setembro de 2018

Faz algum tempo que não cá vinha....faz algum tempo que não lia o que escrevi. Assustei-me um dos últimos posts (aqui) que ainda se mantém tão real. Já não estou com o meu namorado...aquilo que esperava aconteceu...ele não se mudou e eu não consegui esperar mais; Não foi fácil, ainda não é. Ainda vivo sozinha na casa para a qual me mudei; Gosto da minha casa, apesar de volta e meia ouvir as vizinhas a discutir. Os meus pais querem mudar-se do fim do mundo para um mundo com menos fim; Ficar aqui numa terra que não é minha e sem ninguém não fará sentido e provavelmente mudarei para perto do mundo que eles se mudarem. Arranjei uma gata, não queria mas quando me abriram uma porta e saíram de lá imensos gatinhos peguei num e passou a ser meu; Não é a melhor gata do mundo, morde e ataca-me para se vingar dos beijos que lhe dou mas não a troco por nenhum. Não fui muito bem sucedida com a comunicação oral, alias não sinto que tenha mudado muita coisa em mim. Danço....uma coisa que não faz muito sentido dançar mas danço porque gosto. Fui aumentada, e tenho mais responsabilidades no trabalho; A empresa está diferente mais separada. Tenho uma bola de nhaca presa atrás do olho; Os médicos estão inclinados que ela não vai sair sozinha e por isso vou ter de fazer uma cirurgia. Os meus avós ainda estão vivos e bem, o meu pai retomou contacto com pai biológico dele e agora quer que eu o conheça; Não quero saber de um homem que traiu a minha avó, abandonou o meu pai e nunca quis saber de mim. Digo mais vezes quando as pessoas cometem um erro; Reclamo e digo que não pode ser. Vou a festas sozinha (...sim é horrível) porque tenho poucos amigos e ainda menos aqui. Janto no sofá a ver tv porque na cozinha ficaria a olhar para uma cadeira vazia.  Saltei de para-quedas e fui como se tivesse ido ali ao supermercado fazer compras...nada de especial. Viajei sozinha; Na altura ainda com namorado mas fui sozinha e não gostei. Fui viajar com a mãe e adorei; Foi lá que decidi terminar a minha relação, quando vi um casal que parecíamos nós e tive pena dela.  Não me arrependo do que faço e vou lamentando o que ainda não fiz. Já não desespero pelos " e se" mas desespero pelos "e agora". Nunca tive tantas dúvidas de como será o meu futuro. Tenho medo.

domingo, 8 de janeiro de 2017

Talvez...o fim

Desde de muito cedo que gosto de escrever....sempre foi estranho tendo em conta que não gosto de ler e que escrevo muito mal.Escrever é para mim uma maneira de demonstrar os meus pensamentos muitas vezes confusos e sem direção, ajudam me a refletir mais sobre as coisas e a racionalizar o que penso. Comecei (e continuo) pelos diários, depois foi pelos livros em que escrevi dois e comecei o terceiro. Obviamente coisas de adolescentes sem conteúdo nenhum mas faziam sentir-me melhor. Depois veio o blog, escrever só para mim já não chegava. Tinha de partilhar com os outros e saber se havia alguém que pensava como eu. Demorou alguns anos até ter feedback de alguém por aqui e foi tão bom. Foi bom perceber que as pessoas percebiam o que eu escrevia e para além disso identificavam-se. Ainda sinto muita necessidade de escrever, de colocar as coisas de uma forma racional, lógica e bem explicada mas já não sinto tanta necessidade de o partilhar com os outros. Neste momento sinto mais necessidade de me fazer entender pessoalmente, conseguir explicar verbalmente às pessoas aquilo que penso. Basicamente sinto necessidade de melhorar a minha comunicação oral. Não é fácil, falo muitas vezes sem pensar e na fala não é tão fácil esconder emoções mas é que neste momento sinto que preciso.

Não vou dizer adeus porque gosto muito de escrever e este sitio tem uma grande parte de mim mas...........até já. 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Desmotivar, é querer melhorar e não saber como....

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Lamentações de gente com sorte

Nem todo é o que parece e todas as pessoas são diferentes. Para mim é vida é muito fácil sei e tenho consciência absoluta que sou uma sortuda, vivo num país desenvolvido, tenho a minha casa o meu carro e o meu trabalho, tenho luz, água e um frigorífico com a comida que eu quiser. Infelizmente lembramos nos (sim...não sou só eu) disso muito poucas vezes, lembramos nos da sorte que temos quando vimos uma criança em África super magra ou uma criança refugiada semi-sangrenta a gritar pelos pais. Essa lembrança dura entre 1 a 5 minutos e depois voltamos para o nosso mundo em que o que interessa é como tens as unhas ou o trabalho que te esforças imenso para subir quando a gaja loira e boa dorme com o patrão e chega lá acima muito primeiro que tu. No nosso mundinho não nós preocupamos com falta de água, luz ou comida e mesmo assim estamos cheios de stress e com imensas depressões. Parece-me que estamos a ver muito mal as coisas. Racionalmente qualquer pessoa pode dizer o que eu disse, sabe que é verdade mas 95% (onde me incluo) passado 5 minutos já não quer saber. Ao mesmo tempo que me sinto sortuda sinto-me uma falhada. Com as condições que tenho não fiz nada, não ajudo pessoas todos os dias, não luto por condições melhores para os refugiados nem vou distribuir comida em África. Aliás lamento-me quase todos os dias porque não tenho um talento, limito-me a ter o meu papel de robot. Levanto-me a mesma hora todos os dias, vou trabalhar (o qual nem faço corretamente), vou à ginástica ou ter com um namorado (cuja relação não vejo qualquer futuro), dou um jeito à casa e vou dormir para repetir o processo durante todo o ano. Volta e meia penso "se calhar podias fazer melhor", podias ajudar mais pessoas, podias falar mais com as pessoas para teres mais amigos, podias esforçar-te melhor no trabalho para um trabalho melhor, podias fazer tanto para melhorar. Por norma essa "vontade" dura um dia no máximo e depois volta tudo ao normal e volto a ser a mesma miúda sem qualquer tipo de interesse e sem qualquer talento. Alguém que anda aqui só a gastar ar. Atenção que eu não minimamente ambiciosa, não quero ter um emprego que ganhe imenso dinheiro ou mande em muita gente só queria fazer algo bem nem que fosse limpar ruas..

Ás vezes apetece-me deixar tudo e começar do zero mas até isso eu tive oportunidade (quando me mudei de Lisboa para o fim do mundo) e sim fiz progressos mas tão poucos. Caraças será assim tão díficil....